Projeto de proteção de nascentes busca preservar água no DF

Iniciativa envolve comunidade, instituições e poder público

A proteção de nascentes é um dos pontos fundamentais para a preservação da natureza e e da humanidade. Há dois Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que versam sobre esse tema: 6 – Água potável e saneamento e 14 – Vida na água. A preocupação em preservar da onde surge o líquido mais precioso impulsiona projetos em várias partes do Brasil.

No Distrito Federal, o Instituto Oca do Sol desenvolve há quase 10 anos o Projeto Guardiões das Nascentes, que busca mapear as nascentes da região da Serrinha do Paranoá, em Brasília. A iniciativa mobiliza a comunidade e possui conexão com o poder público. O primeiro passo foi identificar as nascentes no local. Um total de 97 à época, número que surpreendeu a todos e indicou que a região é uma importante produtora de água para a Unidade Hidrográfica do Lago Paranoá. Isso levou à priorização da localidade e à montagem e um plano para a sua conservação.

Essa ação ocorreu em um contexto de crise hídrica no Distrito Federal, com muita seca, pouca chuva, afetando a população. Com isso, o projeto ganhou corpo e impulsão, levando a desenvolver uma metodologia para cuidar e proteger esse recurso tão essencial, podendo auxiliar na redução das crises hídricas, especialmente nos períodos de maior estiagem na região. Além da identificação das nascentes, o projeto busca, por meio de uma gestão comunitária, preservar e recuperar esses locais, bem como fomentar parcerias com instituições, agentes públicos e do terceiro setor para ampliar as ações sustentáveis.

Foi criada, inclusive, uma cartilha, apresentando a metodologia de mapeamento comunitário de nascentes, que serviu de base para o desenvolvimento do projeto. Clique aqui para conferir e se inspirar a desenvolver projetos semelhantes na sua comunidade. E para quem é fã do Instagram, há uma postagem neste link que oferece algumas dicas práticas para você se tornar um guardião das nascentes.

O projeto virou curso e, mesmo durante a pandemia do coronavírus, o interesse permaneceu e a capacitação recebeu um formato híbrido, o que fez com que ganhasse asas e fosse replicado em outros locais. Como exemplo, há um registro de uma ação da entidade brasiliense com o Instituto Çarakura, em Florianópolis, replicando a tecnologia social em terras catarinenses. Foi realizada uma capacitação para o mapeamento das nascentes e saneamento ecológico nas bacias hidrográficas dos rios Vermelho e João Gualberto, no Norte da Ilha de Santa Catarina.

E o reconhecimento veio. O trabalho recebeu certificação de tecnologia social da Fundação Banco do Brasil em 2019. No ano seguinte, foi reconhecida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade como “Solução Inovadora de Desenvolvimento Sustentável”.

Recentemente, teve início o projeto Jardins de Chuva na Serrinha – Aprendendo a cuidar das águas, implementando, junto com a comunidade, seis jardins de chuva e também efetuando o monitoramento da qualidade das águas nos córregos e nascentes do Varjão e da Serrinha do Paranoá. A iniciativa ocorre em parceria com o Laboratório Periférico, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e uma senadora local que enviou uma emenda parlamentar para a consecução do projeto.

Mais que uma medida para alcançar a meta 6 ou 14 dos ODS, essa ação favorece a vida e o meio ambiente. O planeta agradece.

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