IA feminista é criada para monitorar o Congresso
QuitérIA, do Instituto AzMina, busca garantir os direitos das meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+
A tecnologia também pode ser usada como instrumento de luta por melhorias na sociedade. Essa é a ideia do Instituto AzMina, que possui uma IA feminista criada para monitorar o legislativo acerca dos direitos das meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. Denominada QuitérIA, a ferramenta teve seu nome inspirado em Maria Quitéria de Jesus, uma heroína baiana que rompeu as barreiras de gênero e assumiu protagonismo político na luta pela Independência do Brasil.
>>> Acesse aqui a IA Quitéria, que fica dentro do site Elas No Congresso
A ferramenta foi desenvolvida pela AzMina para analisar, de forma automatizada, as proposições dos parlamentares sobre questões de gênero que tramitam no Congresso Nacional. QuitérIA coleta, interpreta e classifica os dados e informações, considerando seus possíveis impactos, e levando em conta ainda dimensões de raça, classe, orientação sexual e outros elementos interseccionais. Assim, temas como violência de gênero, trabalho doméstico, equidade salarial e direitos reprodutivos a bordados pelos parlamentares estão no radar da IA.
A IA feminista foi criada a partir de uma base de análise humana de cinco anos de projetos de lei no Congresso Nacional. Foram 25 organizações de direitos humanos envolvidas, com atores especializados fazendo um estudo manual de mais de 1.600 proposições. Isso gerou um enorme e especializado banco de dados que serviu de insumo para treinar um modelo de inteligência artificial.
Dentro da plataforma a pessoa pode consultar projetos de lei avaliados desde 2019, a partir de uma interface visual denominada “criteriômetro”, que exibe se as propostas são favoráveis ou desfavoráveis aos direitos das mulheres e pessoas LGBT+. QuitérIA foi criada utilizando modelos brasileiros abertos, baseados em BERT. Com o código e dados abertos é possível, inclusive, adaptá-la para outros temas.
A IA feminista é uma ferramenta poderosa para o trabalho do Instituto AzMina, uma organização sem fins lucrativos que luta pela igualdade de gênero e pelo combate à violência contra a mulher no Brasil. A organização foi fundada em 2015 e usa o jornalismo, a tecnologia e a educação para promover os direitos das minorias.
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