Tecnologia social propõe reciclagem e empodera agricultores
Comunidades rurais em MG entregam material que ia para o lixo e recebem mudas, sementes e pintinhos
Envolver a comunidade rural no objetivo da reciclagem, gerando mais alimento e renda para os agricultores. Esse é o mote do projeto Reciclar: Menos Lixo, Mais Segurança Alimentar desenvolvido na cidade de Glaucilândia, uma pequena de aproximadamente 3 mil habitantes, segundo dados de 2022 do IBGE, cidade localizada no Norte de Minas Gerais. Por meio de parcerias com os pequenos produtores rurais, empresa recicladora e poder público, a ação virou uma tecnologia social reconhecida em âmbito nacional que se propõe a resolver diversos problemas de uma só vez.
A ideia surgiu a partir da detecção do descarte incorreto dos materiais inservíveis na zona rural. Muitos ficavam espalhados nos quintais, outros eram queimados, impactando negativamente no meio ambiente, outros ainda acabam se tornando foco de mosquitos da dengue ou até provocavam cortes e perfurações nas crianças. Mas era preciso criar um incentivo para que os agricultores participassem.
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Daí surgiu a ideia de reunir o material passível de ser reciclado para uma empresa. Em troca da inclusão desse público no sistema de coleta de lixo da cidade, a comunidade rural passou a receber mudas frutíferas e sementes de hortaliças, além de pintinhos, a partir do dinheiro arrecadado da venda dos reciclados.
Com isso, além de estimular a prática da reciclagem no município, com ênfase na zona rural, esse recurso proporcionou um incremento na plantação e na criação de aves da comunidade rural, promovendo melhorias na alimentação e também na renda, com mais produtos para serem comercializados na feira livre de Glaucilândia.
Com 10 anos de execução, o projeto ganhou mais de 10 premiações em âmbito estadual, nacional e até internacional. Já há alguns anos, a iniciativa é reconhecida e certificada pela Fundação Banco do Brasil como uma tecnologia social, tornando o município uma referência nesse tipo de ação.
No período já foram recolhidas mais de 30 toneladas de material. Em contrapartida, a moeda de troca permitiu a implementação de mais de 200 horas, com a plantação de mais de 5 mil mudas e a distribuição de mais de 3 mil pintinhos.
Essa excelente tecnologia social faz elo com o ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável e o ODS 12 – Consumo e produção responsáveis, proporcionando um melhor cuidado com o meio ambiente, sem deixar de cuidar das pessoas que mais precisam.
